Em um relacionamento, a maturidade emocional aparece nos momentos em que alguém diz: “O que você fez ou falou me machucou” ou coloca um limite ou expressa uma preocupação sobre algo que não lhe faz bem. Ao ouvir isso, como você se sente? Você entende que o outro está falando sobre o que sente e sobre o que é importante para ele, ou transforma isso em algo sobre você?
Se caso transformar isso em algo sobre você, pode sentir que é um ataque, e se defende por sentir vergonha ou injustiça. Como consequência, o foco da conversa muda completamente. Já não é mais sobre o que foi dito, nem sobre a pessoa que colocou o limite ser ouvida e acolhida. Passa a ser sobre quem recebeu o feedback proteger a própria identidade. Como resultado, a pessoa que colocou o limite precisa mudar o foco e tentar administrar a reação do outro, o que gera muita solidão.
Com o tempo, a pessoa que encontra sempre defensividade começa a hesitar se vale a pena trazer isso à tona. Começa a falar menos, não porque não se importa, mas porque não se sente segura para se expressar. Pouco a pouco, o silêncio cria distância e a admiração diminui.
Maturidade emocional não é nunca se sentir ativado. É tolerar o desconforto de não ser perfeito sem transformar impacto em identidade. E para isso é necessário conhecer e aceitar os seus defeitos e saber que você pode afetar alguém que ama e, ainda assim, continuar sendo fundamentalmente ok.
Se não estamos conscientes dos nossos defeitos, todo conflito parece uma ameaça.
Em relacionamentos maduros, conseguimos ouvir que algo que fizemos não fez bem ao outro, que um limite está sendo colocado ou que algo que valorizamos está sendo questionado, sem colapsar na vergonha ou entrar na defensiva. Quando duas pessoas entendem isso, há espaço para honestidade e intimidade real.
